terça-feira, 9 de outubro de 2018

Reluz

"Entre as diversas formas de economia criativa, a produção da biojoia está conquistando outras fronteiras. Em reportagem especial, as fases da cadeia produtiva ficaram evidentes. O talento e conhecimento indispensável de artesãos, lapidários, ourives e designers puderam ser descobertos, sem eles, a Biojoia não seria um diferencial, nem de beleza e nem de qualidade, para o mercado de luxo."


A Amazônia deslumbra o mundo. Seus encantos, cores, formas, comida, música, arte ainda é um diferencial aos estrangeiros. Entre todos esses encantos, as joias paraenses vêm tomando um espaço significativo no mercado de luxo. Mais do que metais nobres, as joias carregam consigo a cultura da Amazônia. São peças produzidas com a combinação de elementos naturais, agregando-se, em diferentes proporções, metais nobres, pedras preciosas e semipreciosas.

O cuidado de cada um que faz parte da cadeia produtiva é de valorizar a cultura da região, reaproveitando da natureza o que seria descartado. A biojoia paraense também fortalece a mineração do estado, que é sua grande fornecedora. Fortalecimento com criatividade e toque especial da cultura da região norte vem destacando o Pará. Nos últimos anos empresários paraenses fazem exposições em vários países do mundo.

O programa Polo Joalheiro, criado desde 1998, criou novas expectativas no setor joalheiro do Pará, a partir das políticas públicas estaduais que injeta por ano mais de 3 milhões de reais, para fomentar o mercado. O setor é concentrado desde 2002, no espaço São José Liberto, antigo presídio, nele há a loja Universal que oferece um espaço tanto para trabalhar em projetos individuais, quanto para prestação de serviços de ourives, lapidários e outros.

A diretora executiva do Espaço São José Liberto e do Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama), Rosa Helena, destaca o compromisso que os profissionais que integram o programa Polo Joalheiro possuem pela a preservação da cultura amazônica paraense e da preservação da biodiversidade. “Antes de eles pensarem no consumo, ele divulgam a nossa cultura do nosso estado, eles são elementos que fazem essa difusão, outra ponto que destaco é a qualidade e dedicação de cada profissional, são talentosos, estão sempre se capacitando. Isso faz com o produto que eles elaboram são de qualidade”, orgulhou-se.

Para José Fernando Gomes Júnior, presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), a arte das joias do Pará e suas características da Amazônia é um motivo de orgulho. "Como paraense que sou o destaque das joias me enche de orgulho e aumenta a nossa obrigação com estado e com a população, para que cada vez mais a gente mostre essa arte da Amazônia. Lá em Tucumã se faz joias paraenses e a Jequiti do Silvio Santos compra para vender para todo o Brasil. Para mim é um motivo de muito orgulho, por compreender o setor, mas também como paraense que sou", orgulhou-se.

Segundo José Junior, a mineração, é o segundo elo da cadeia produtiva das joias. O primeiro elo é o da pesquisa, em que geólogos pesquisam e fazem descobertas minerais. A cada mil pesquisas uma pode se tornar uma mina, para que se possa tirar produto, ouro, níquel, ouro e ferro.

“Hoje, o Pará tem um planejamento estratégico até 2030 e as empresas devem cumprir um protocolo intenso do Estado do Pará, que devem disponibilizar um porcentual da sua produção para os artesãos para incentivar cada vez mais produzir as joias e biojoias do Polo Joalheiro e outros empreendimentos do estado”, comemorou o presidente da Simineral.

As joias paraenses também contam com apoio de programa de Internacionalização de Pequenas e Microempresas do Sebrae, em parceria com o Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiepa, a unidade de atendimento no Pará da Apex-Brasil e o Instituto Brasileiro de Gemas & Metais Preciosos (IBGM).




Para participar do Programa, qualquer profissional deve fazer um cadastro junto ao Polo Joalheiro. E partir daí profissionais do setor começam a ter acesso a todos os benefícios do programa, entre cursos, espaço, exposições, feiras. Porém o programa exige desses profissionais que a produção seja local, agregando o artesanal-industrial e que usem um design inspirado na cultura da Amazônia.

O espaço oferece oportunidades tanto para trabalhar em projetos individuais quanto para prestação de serviços de ourives, lapidários e outros, e por fim para a comercialização. São 44 profissionais que usam o espaço.


Cada profissional tem um contrato de consignação com o Igama. No caso das joias vendidas, 25% ficam com o Igama e do artesanato, 30%. O dinheiro que fica com o Igama acaba voltando pra os profissionais, na forma de manutenção do espaço e para trazer novos cursos. Anualmente o programa atende em média 1200 pessoas com o objetivo de que esses novos empreendedores se tornem empresários do setor.



Veja histórias de alguns profissionais da cadeia produtiva




quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Espaço São José Liberto


Março de 1998 ficou marcado na história paraense, especialmente na do Prédio São José Liberto, localizado no centro da cidade. Não tem como esquecer a cena do líder da rebelião dos presidiários, José Viana Davi, conhecido como 'Ninja' sendo jogado por um lençol pelos presos. Na época muitos horrorizados presenciavam as cenas e acompanhavam a rebelião dos presidiários que tinha vários reféns. Parentes cercavam o prédio desesperados. Na mídia local e Nacional era a manchete. Foi chocante. O governo desintegrou o prédio e o reformou. O prédio hoje é visto com outros olhos em 

Em 11 de outubro de 2002, o Espaço São José Liberto teve outra utilidade. O antigo presídio, agora abriga o Museu de Gemas do Pará, o Pólo Joalheiro e a Casa do Artesão. O prédio antigo que marcou tragicamente a vidas de muitos, hoje é destinado a uma economia criativa que ganhou o mundo: as Biojoias.

Hoje São José Liberto é uma referência de indústria criativa e turística de Belém do Pará, onde é possível ter o contato com a cultura, riquezas minerais e vegetais do estado. Na criação de uma peça, vários profissionais são envolvidos, cada um com um papel fundamental. Historias diferentes, níveis sociais diferentes, mas todos competentes e felizes com que fazem, tornando as biojoias um diferencial de beleza e criatividade.

Fica claro, que o espaço do São José Liberto teve um novo cenário. O que assombrava, com histórias tristes, hoje reluz, não apenas com as pedras espalhadas que enfeitam o ambiente, mas com as suas novas histórias de superação e amor profissional.


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Estagiário nosso do dia a dia

Por: Michele Lobo
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Foto divulgação-Site IEL

Quem  nunca pediu um cafezinho ao estagiário ou colocou toda a culpa nele que atire a primeira pedra! Muitas brincadeiras giram em torno da figura do estagiário, mas muita consideração e carinho também. O estagiário tornou-se peça fundamental no mercado de trabalho. Nos órgãos públicos ou privados representam uma porcentagem significativa na produção.

No Pará, o Instituto Euvaldo Lodi – IEL criado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) vem crescendo e atuando na produção no setor produtivo paraense inserindo os estagiários no mercado de trabalho.

Segundo o superintendente do IEL, Carlos Auad, o estágio é uma importante ferramenta de preparação e qualificação para o mercado de trabalho. “O aluno, a empresa e a instituição de ensino, elementos indispensáveis desse processo de aprendizagem, possuem interesses comuns, ou seja, desenvolvimento profissional por meio da integração entre a prática e o ensino", esclareceu. 

"Para as indústrias, oportunizar ao educando preparação para o trabalho produtivo, significa garantir o desenvolvimento e fortalecimento do ambiente empresarial, gerando renda e negócios em um ciclo permanente”, esclareceu o presidente", completou o superintendente.



A psicóloga organizacional do IEL, Aline Barros explica o IEL é responsável por integrar todas as partes envolvidas no programa de estágio e colocar o estagiário conforme a lei exige, além de dialogar entre as empresas, o estagiário e as instituições de ensinos para que juntos possam contribuir na economia paraense. "O IEL entende que o estagiário hoje é o aluno, mas é o futuro profissional. O estágio é uma ponte, ele faz parte do caminho desse aluno", relatou a psicóloga.

"Todo aluno de nível superior ou técnico ou de ensino médio que passar por um programa de estágio ele vai ter condições de conseguir uma colocação no mercado de trabalho com mais segurança. No programa de estagio ganha todo mundo. Ganha esse aluno; ganha o empresário, que sabe que hoje esse aluno vem com competência, pois o estagiário é criativo, inovador e cheio de habilidades, então nessa relação automaticamente ganha o mercado de trabalho como todo, a nossa produção, a nossa região. Com certeza é um grande aprendizado para todo mundo", afirmou Aline Barros.

A jornalista Joyce Wanzeller Araújo é um exemplo de como o estágio é importante na carreira profissional, ela foi contratada ainda no estágio. Formada em Design, Joyce explica que não exerceu a profissão, pois se dedicou no seu emprego, na area, ela explica que quando cursou Jornalismo fez questão de passar pelo estágio mesmo com um vasto currículo.

 " Eu já tinha 29 anos e resolvi sair da parte de vendas e me dedicar totalmente a parte de Jornalismo. No meu segundo semestre de curso de Jornalismo fui estagiar pela primeira vez na Defensoria Pública do Pará e depois fui mudando de estágios. Meu último estágio foi na Celpa onde eu fiquei até me formar e me apaixonei pelo endomarketing, passei pela áreas de responsabilidade social, mas o endomarketing enchei meus olhos, hoje em dia sou estudiosa dessa área, procuro me atualizar o máximo possível",explicou. 

É isso que eu gosto de fazer, de engajar pessoas, de motivar pessoas, de informar pessoas, além dessas áreas cuido também de produção de eventos. O estágio na minha vida profissional foi essencial, tanto que na minha primeira graduação que não me dediquei, não estagiei, não tive nenhuma vivência prática do que eu estava vivendo eu só peguei o diploma, mas não exerci,"afirmou Joyce.

Pará tem representantes no prêmio nacional do IEL 

Criado  com a finalidade de incentivar as empresas e instituições de ensino a buscarem excelência em seus Programas de Estágio, o Premio IEL de adota metodologias que busca valorizar e reconhecer a atuação de todos os agentes envolvidos no processo, premiando e reconhecendo às empresas com melhores práticas de estágio, aos estudantes que se destacam em seus estágios e às instituições de ensino que apoiam e incentivam os programas de estágio.

No Pará, a Instituição de Ensino Superior, Universidade da Amazônia –UNAMA e o estagiário Rafael Mendes das Centrais Elétricas do Pará – CELPA são finalistas da 11ª edição do Prêmio IEL de Estágio - Etapa Nacional.

O estudante Rafael do sétimo semestre. Publicidade e Propaganda foi finalista nacional do premio IEL de Estágio. Rafael é estagiário da Celpa desde janeiro deste ano. Antes da Celpa, estagiava na empresa de Turismo na área  de marketing de junho de 2016 até  dezembro. 

“Eu acredito  que todo profissional de excelência,  principalmente  quando se torna líder, precisa conhecer e vivenciar todos os níveis hierárquicos de sua função  e eu acredito  que o estágio  é  o passo inicial para qualquer  pessoa se transformar em um excelente profissional.Sempre me dediquei  ao máximo em minhas funções  e nunca me coloquei  numa posição menor por ser estagiário, sempre apreendendo crescendo  mas já  assumindo uma postura  de autoridade na minha área, sempre com a certeza  que essa é  uma fase de aprendizado  mas quem também  vai me credenciar para o sucesso”, ressaltou o estudante.
  
Para ele, a  humildade e  saber  respeita hierarquia  é  fundamental  para qualquer pessoa que ainda precisa aprender e pretende se tornar grande. Rafael já é formado em em Turismo e Técnico  em eventos, e apesar de já  trabalhar  nessa área,  quando resolveu fazer uma segunda graduação, decidiu que deveria passar por todas as etapas da aprendizagem, acreditando que o estágio  é  a principal delas.
  
O jovem resolveu fazer Publicidade  e Propaganda  para se qualificar  ainda mais como profissional de eventos e acabou descobrindo  sua nova paixão, o que o fez querer crescer ainda mais; agora como publicitário

"Me inscrevi no Prêmio IEL de estágio com o intuito  de avaliar  ainda mais  as minhas ações em audiovisual dentro da Celpa. Ter ganho, me deu a certeza de que estou no caminho  certo e estar na Final do prêmio  Nacional reafirma o quanto tenho potencial  e mais querer  melhorar  ainda mais”, comemorou.

Veja o depoimento de Rafael no vídeo abaixo:

"Ganhar o prêmio  IEL me deu um destaque ainda maior  dentro da Celpa, depois da Vitória, os colaboradores  da Companhia tem me reconhecido e me desejando  um futuro  de sucesso. A Celpa inteira, do presidente até  a equipe de serviços  gerais estão  na torcida por mim para a conquista do primeiro lugar no Prêmio  Nacional mas independente  da minha colação  já  estou feliz porque estou entre os 3 melhores  estagiários  do Brasil", ressaltou. 

Veja mais:
O Pará está concorrendo ao Prêmio IEL de Estágio 2017 - Etapa Nacional

FIEPA divulga vencedores do Prêmio IEL de Estágio


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Produção: Michele Lobo e Daniele Maciel 
Imagens: Michele Lobo 
Imagens cedidas: Rafael Mende 


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Mineração paraense: referência para o Brasil e para o mundo


"O Pará é uma grande província mineral. Ele não é um estado é um continente. Se você pegar todos os tipos de municípios do estado. A mineração do Pará é uma referência para o Brasil e para o mundo. Só aqui é a Amazônia e as empresas filiadas fazem mineração com responsabilidade social, respeito ao meio ambiente, sustentabilidade e respeito as comunidades locais”, o orgulho é expressado José Fernando Gomes Júnior, presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral).

José Fernando Júnior está à frente do Sindicato há cinco anos, para o presidente, o respeito ao meio ambiente é um avanço natural do ser humano. Há alguns tempos atrás não havia audiências públicas para instalar os projetos de mineração.





Hoje, para fazer o licenciamento ambiental de qualquer projeto, a Secretaria de Meio Ambiente vai ao município onde vai ser instalada a mina, ouve a sociedade, recolhe aquelas demandas, leva para a gama técnica da Sema, em seguida é feita uma discussão da área técnica. 

Depois o conselho do meio ambiente, que é um conselho heterogêneo, com a participação dos trabalhadores, Ministério Público, Ordem dos Advogados, Ong's, ente outros, que vão aprovar a licença e isso é um grande avanço na sustentabilidade”, relatou José Junior.

A mineração sempre foi uma atividade fundamental na história da humanidade. Ela é responsável pelos grandes saltos de evolução dados pelo homem, porém é comum. Além de joias, a mineração fornece vários equipamentos essenciais para a o dia a dia da população, a maioria dos aparelhos provém da mineração. Além dessas necessidades básicas, a mineração movimenta a economia, gerando emprego e renda.

No Pará, a mineração vem evoluindo e se aproximando cada vez mais da sociedade. As instalações de empresas ganham centenas de postos diretos e indiretos, além de investimento em programas sociais. O investimento e aproveitamento das mãos de obras locais são uns de muitos compromissos que a Simineral possui com a sociedade paraense;


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A Paixão pela Amazônia de Marcilene Rodrigues

Por: Daniele Maciel
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 Daniele Maciel

De pele branca, olhos azuis e cabelos loiros a designer de joias Marcilene Rodrigues, natural do interior de Itaituba, no oeste do Pará escreveu uma nova história a partir do encantamento pelos trabalhos manuais. Os trabalhos como psicóloga nos consultórios médicos ficaram de lado para se dedicar as biojoias, na busca de evidenciar a cultura paraense e na versatilidade que são empregadas em cada peça.

As peças de autoria da designer ganharam visibilidade no Pará, no Brasil e no Mundo. O despertar por trabalhos manuais não é algo de hoje. “Desde pequena eu sempre gostei de trabalho manual, trabalhava com artesanato e assessórios desde os quatorze anos, eu lembro quando me deram 20 reais ai eu pedi para minha mãe me levar para comprar um kit de fazer bijuteria. Nossa, pronto, me apaixonei!”, declarou.

Em 2007, iniciou o curso de ourivesaria, na escola Rahma, oferecido pelo Polo Joalheiro do Pará. Segundo Marcilene, é fundamental aprender manusear a peça pra ter noção do processo. “Vi no Polo Joalheiro, no curso, uma maneira de melhorar o meu trabalho, ai tu vais te apaixonando, tu vais vendo o conceito de biojoias diferente, porque eu trabalhava com semente, trabalhava com essas coisas, mas era aquela coisa mais biju, ai a gente muda o nosso olhar, esse olhar para a Amazônia”, afirma a designer.

Os insumos que são usados para confecção, ou seja, composição das biojoias podem ser as gemas minerais, gemas vegetais, os metais, por exemplo, o ouro; a prata e o cobre, chifres de boi e de búfalo, ossos de boi, até mesmo resíduos de madeira. Insumos da região que poderiam ser descartados no lixo, no ramo das biojoias acabam ganhando uma nova utilidade, que geram emprego e renda.

No ramo das biojoias a terceirização é algo comum, logo, os que fazem parte da cadeia produtiva tendem fornecer insumos e mão-de-obra de forma terceirizada, ou seja, tendem a montar a própria equipe que pode variar com necessidade. Nesta área a parceria é primordial para que todos tenham êxito, o designer tem que entender que nem tudo que está no papel é possível ser produzido.

Artesões, ourives, lapidadores e designers fazem parte da cadeia produtiva que está por trás da produção das biojoias. De acordo com Marcilene Rodrigues, conhecer o processo de produção das peças e importante para não puxar a orelha desnecessariamente do parceiro que faz parte da cadeia. Entre os profissionais inseridos na cadeia produtiva de Marcilene estão: Leila Salame; lapidária, Eugênio de Oliveira e Paulo Tavares; artesões e Joelson Leão; ourives, ambos citados pela designer, que admira a competência e a atuação de cada um na elaboração de uma peça.

Desde 2008 a designer participa de exposições e de feiras, no mesmo ano formalizou a marca de sua propriedade “Silabrasila Joias”. Por mais que integre o Projeto do Polo Joalheiro, nada a impede de fazer trabalhos independentes, a exemplo a marca e sua atuação no projeto “Garimpo” que reúne trabalhos de designers, em espaços cedidos por lojas que vendem biojoias, o mesmo ocorre no Polo Joalheiro, onde suas peças ficam expostas na loja Una.


Uma biojoia produzida é quase uma peça única, pois raramente uma peça é igual à outra, por ser artesanal. Logo, são produtos que demoram a ser produzidos.Para a designer, o prestígio da atividade vem ganhando força. “Reconhecimento do trabalho é saber que a gente não está dando murro em ponta de faca. Antes era um pouco desacreditado, e a gente perceber que aquilo que nós temos é muito bonito, é muito valorizado. É gostoso poder trabalhar com as coisas que te dá prazer, por estar divulgando a tua cultura", pontuou. Destacou ainda sobre a aceitabilidade das biojoias no mercado: “O Pará está redescobrindo o Pará, lá fora é uma aceitação fantástica, aqui está tendo essa redescoberta”.

A dedicação do Ourives Joelson Leão

Joelson além de trabalhar com o metal bruto, ouro e prata, também faz a incrustação paraense. É sua especialidade. Aplica resinas da terra, um diferencial. Dependendo da joia, compra matérias de outros produtores, como gemas e madeiras. 


“Os ourives entram com o trabalho pesado na formação de uma joia, é como um engenheiro que só desenha o prédio, mas quem constrói são os peões”. O relato é de, Joelson Leão, ourives há 19 anos. Não foi difícil conversar com ele. Pessoa bem acessível, apesar da correria. De boa conversa. Estava ocupado, apareciam clientes, tinha demanda. Mesmo assim a atenção foi ótima. Houve várias paradas entre chegada de clientes e serviços. Sua entrevista aconteceu no Polo Joalheiro, o lugar onde atende e trabalha.

Joelson além de trabalhar com o metal bruto, ouro e prata, também faz a incrustação paraense. É sua especialidade. Aplica resinas da terra, um diferencial. Dependendo da joia, compra matérias de outros produtores, como gemas e madeiras. É dedicado e gosta do que faz. Explica que o especial em suas joias são as cores. “Vai de cada um desenvolver bem o seu trabalho”. O ourives reconhece que cada um tem uma importância na cadeia produtiva de uma biojoia, mas na maioria das vezes o marketing e o reconhecimento moral e financeiro são dados apenas ao designer.

“O ourives não é designs de formação, mas acaba criando, redesenhando. Temos um papel fundamental com os designers e outros que participam da criação de biojoias. Temos a noção na prática, sabemos o que dá ou não pra fazer”, explica. A peça geralmente é aperfeiçoada pelos ourives. Muitas vezes o designer não tem um entendimento da execução prática da joia. Não entende as limitações. Por isso que o diferencial da biojoia é a construção da cadeia produtiva e a comunicação entre eles. O ourives acaba ajudando e em casos até cria. A biojoia acaba sendo um trabalho de equipe, onde cada um faz sua parte e essas relação é fundamental.


Joelson sustenta sua esposa e filho com a profissão de ourives. Faz parte do projeto do Polo Joalheiro e tem a sua oficina. Terceiriza seu serviço. Na sua carreia o apoio do Polo Joalheiro ajuda na estrutura, quando disponibiliza o espaço turístico.

“Apesar da taxa que temos que dar ao Polo, todo o suporte compensa, mas não tenho como depender apenas das vendas daqui”, explicou Joelson. No projeto, ele já participou de vários cursos de capacitação e suas joias são mais valorizadas por conta do espaço turístico, mas seu trabalho já tinha uma história.

Dá forma ao ouro e prata não é tarefa fácil. Uma peça dependendo de qual e, também, do nível do ourives dura em média de um a três dias. Há peças que levam uma semana para serem trabalhadas. O tempo, a prática vai acelerando o processo. Mesmo assim, não deixa de ser um trabalho que requer paciência. São várias etapas, cada um com seu grau de importância.

Para ser ourives tem que gostar, ter uma espécie de relacionamento com o metal. Joelson gosta, não trocaria de profissão, se vê como um artista, pois se inspira e cria. “O ourives é um artesão que trabalha com metal nobre, não deixa de ser uma arte”, completa Joelson.


Joias paraenses começam do artesanato de seu Eugênio

Seu Eugênio faz parte de um dos primeiros processos, a matéria prima. Ele dá formas geniais em braceletes, anéis, brincos e colares. Usa a madeira, chifre e osso de boi. Começou a trabalhar no artesanato de joias há dezesseis anos. é artesão,escultor e faz acessórios de moda. O mercado de luxo de vários outros países conhecem suas peças, mesmo sem ter a noção do lugar em que ela é feita.


Chuva, rua deserta, perigo, medo, ansiedade. Meus passos eram apressados. Afinal, as orientações eram: “Vem pela manhã, pois à tarde, depois da chuva é perigoso”. Não contava com uma manhã chuvosa. O bairro é o Tenoné, periferia de Belém. A Rua São José Ribamar, sem saneamento, em época de chuva, muita lama. De longe, avistei uma senhora na esquina sorrindo. “Você está procurando pelo Eugênio?”. Era esposa do entrevistado, Edileuza Pinto, com quem marcamos entrevista. Seu Eugênio tem uma ótima assessora. Respondi que sim, agradecendo, claro, por me esperar na esquina. Ela estava preocupada, pois estava chovendo e eu desconhecia o lugar. Perguntei se podia bater foto da rua. “Não, guarda é perigoso”, contestou. A frente da sua casa era diferenciada, com plantas, parede ainda não rebocada, portão de madeira. Já sabia que havia animais. Afinal, antes por telefone, não tinha como não escutar o galo cantando. Se esgoelando. Edileuza entra na frente para ver se o cachorro estava preso, então chega o entrevistado.


Eugênio Carlos de Oliveira, 57 anos, artesão. Peça fundamental na produção de joias Paraenses. Economia criativa, sucesso no Brasil e no exterior. O diferencial é justamente o trabalho feito à mão por artesãos, ourives e lapidários. Seu Eugênio faz parte de um dos primeiros processos, a matéria prima. Ele dá formas geniais em braceletes, anéis, brincos e colares. Usa a madeira, chifre e osso de boi. Começou a trabalhar no artesanato de biojoias há dezesseis anos. O mercado de luxo de vários outros países conhecem suas peças, mesmo sem ter a noção do lugar em que ela é feita.

Faz esculturas desde adolescente e sobrevive apenas do artesanato. No momento, especialmente das biojoias, terceirizando seu trabalho para a maioria dos Designs do Projeto do Polo Joalheiro, no São José Liberto. “Não pretendo ter outro tipo de trabalho, gosto do que faço”, afirma. E não houve dúvidas sobre essa afirmação. Expressava orgulho em todas as suas obras que mostrava. Fazia questão de exibir e explicar suas criações. Sua esposa ajuda no acabamento, juntamente com Adilson, que trabalha todo dia com ele.

O mestre Eugênio dá forma às matérias-primas, desenha e pinta. Um verdadeiro artista. Durante a entrevista, conheci um pouco de todos os seus trabalhos. Até um álbum de fotografias de suas peças ele me apresentou. Sensacional. Não tem como não admirar o diferencial das sua peças e de certa forma sentir orgulho, por ser um artista paraense.

Ao entrar em sua casa, conheci sua oficina, tive um choque de realidade. Deparei-me com uma oficina de estrutura mal acabada. A princípio quase uma casa abandonada. Duas tábuas ajudam atravessar para chegar a uma das partes da sua oficina. Quando chove tudo vira lama. Há uma mistura entre sua oficina e seu quintal. Comentei que ele tinha até tartaruga. “É jabuti”, corrigiu. Ele gosta do seu espaço, da natureza, já morou em São Braz. Não pretende mudar de endereço, não gosta de ir para o centro. Geralmente seus clientes que o procuram. Percebi na conversa uma autovalorização pelo seu trabalho, se orgulha do que faz e sabe da sua importância nas peças. Apesar de poucos conhecerem seu nome. Ele sabe muito bem quem é. Gosta do seu ambiente, do seu trabalho, da sua casa. Seu amor torna sua peças indispensáveis para a construção das joias.

Continuei fazendo aquela observação do espaço. A área de serviços ainda é das antigas, o antigo giral com panelas, o tanque, o chão bruto, com a chuva vira um lamaçal, galinhas por todos os lados e árvores. Do outro lado é uma espécie de depósito. De lá ele vinha com várias peças para me mostrar. Ele entende, sabe onde está peça a peça. A cada parada para admirar seu trabalho, seu Eugênio respondia minhas perguntas. Seu Eugêncio é um grande conhecedor naquilo que faz, tem a prática, anos de experiência peça fundamental, assim como um designer, ourives ou qualquer outro que faça parte da produção de uma biojoia.

“Logo que comecei com as biojoias, a Xuxa no seu auge usou uma pulseira minha, abriu a boca dizendo que comprou na França, mal sabe da onde veio. Made in Tenoné, brincou”. O artesanato de Eugênio conquistou o conceituado estilista francês Yves Saint Laurent, que sempre fazia encomendas e vendia para classe alta. Após seu falecimento sua empresa não entrou mais em contato com ele. 

Percebi com a história de seu Eugênio, o quanto nossos artistas são esquecidos por nós mesmos. Seu trabalho percorreu e ainda percorre o mundo. A valorização de um produto na maioria das vezes é dada para os conceituados de fora. É uma inspiração a história de simplicidade de um artesão que ama o que faz. É pé no chão. Sabe como as transações do mercado funcionam. O que deixava irritado, hoje não deixa mais. Eugênio de Oliveira. Grava esse nome. Mestre do artesanato. Cria peças que sai de Belém do Pará, precisamente do bairro do Tenoné, para o mundo.